Recentemente alguém me perguntou como analisar ações usando ROE, e percebi que muitas pessoas na verdade não entendem profundamente esse indicador. ROE é o retorno sobre o patrimônio líquido, ou seja, quanto lucro pode ser obtido com o dinheiro investido pelos acionistas. Simplificando, a fórmula do ROE é lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido, e quanto maior esse número, teoricamente, mais eficiente a empresa é em usar seu capital próprio.



Buffett já disse que, se pudesse escolher apenas um indicador para selecionar ações, escolheria o ROE. Essa afirmação parece bastante definitiva, mas depois percebi que há detalhes que valem a pena refletir. Muitas pessoas pensam que quanto mais alto o ROE, melhor, mas na verdade não é bem assim. Vou explicar por quê.

Se você rearranjar a fórmula do ROE, vai perceber que ele na verdade é igual ao PB dividido pelo PE. PB é a relação preço/valor patrimonial média, e PE é a relação preço/lucro, ambos indicadores de avaliação. Geralmente, queremos que esses dois números sejam o menor possível ao comprar ações, assim o risco é menor. Agora, suponha que o PE permaneça constante; para fazer o ROE disparar, o PB também precisa subir. Mas um PB muito alto pode indicar que a empresa está em bolha.

Na prática, poucas empresas conseguem manter um ROE acima de 15% a longo prazo. Já vi ações com PE baixo e PB alto, cujo ROE parece impressionante, mas essa situação geralmente não é sustentável. Por exemplo, um PE de 10 vezes com PB de 2 vezes dá um ROE de 20%; se for PE de 10 vezes com PB de 5 vezes, o ROE chega a 50%, mas é difícil manter esses níveis.

Além disso, um ROE muito alto atrai mais capital, aumentando a competição. Se a vantagem competitiva da empresa não for forte o suficiente, novos entrantes podem substituí-la facilmente. Subir de 2% para 4% é relativamente fácil, mas de 20% para 40% é muito mais difícil, pois o ambiente de cada setor é completamente diferente.

Por isso, minha recomendação é que, ao usar o ROE para selecionar ações, você olhe para o desempenho de longo prazo, preferencialmente os últimos 5 anos. Não procure por valores muito altos ou muito baixos; uma tendência de crescimento contínuo é o melhor sinal. Uma faixa de 15% a 25% é um bom parâmetro, pois consegue filtrar empresas realmente competitivas sem se deixar levar por bolhas.

Falando na fórmula do ROE, na bolsa de valores ela é mais complexa do que simplesmente lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido. As empresas listadas geralmente usam uma média ponderada do retorno sobre o patrimônio, considerando fatores como patrimônio no início do período, novos aportes e reduções, tudo ponderado por mês. Assim, a medida reflete melhor a eficiência real na utilização do capital.

Se você quer verificar o ROE de uma ação, pode usar o Google Finance, Yahoo Finance ou os sites das corretoras. Para encontrar ações com maior ROE, há ferramentas específicas de filtragem, onde você pode ajustar os parâmetros de acordo com o mercado e suas preferências.

Por fim, quero dizer que o ROE é realmente um indicador importante para analisar o valor de uma empresa, mas não é o único. É fundamental combiná-lo com outros indicadores financeiros e usar seu julgamento independente para tomar melhores decisões de investimento. Não há atalhos na escolha de ações; é preciso estudo e paciência.
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