Recentemente tenho acompanhado o mercado internacional do ouro, e percebo que a lógica por trás desta subida dos preços do ouro é muito mais complexa do que a maioria pensa. Muitas pessoas ainda estão indecisas entre inflação ou cortes de juros, mas na verdade há algo mais profundo a impulsionar.



Notei um fenómeno interessante: desde 2022, a compra de ouro pelos bancos centrais nunca parou realmente. Segundo dados da World Gold Council, em 2025, a quantidade líquida de ouro comprada pelos bancos centrais globais ultrapassou as 1200 toneladas, sendo o quarto ano consecutivo acima de mil toneladas. Ainda mais importante, 76% dos bancos centrais entrevistados acreditam que nos próximos cinco anos irão aumentar a proporção de ouro nas suas reservas, ao mesmo tempo que esperam uma diminuição na proporção de reservas em dólares. Isto não é uma especulação de curto prazo, mas uma dúvida de longo prazo sobre o sistema do dólar.

Por que isso acontece? Simplificando, é porque há fissuras no sistema de crédito do dólar. O evento de congelamento de reservas cambiais em 2022 abalou completamente a hipótese de que “ativos soberanos são invulneráveis”. O ouro tornou-se o único ativo que não pode ser congelado unilateralmente e que não depende de qualquer crédito soberano. Com esta lógica, a subida do mercado do ouro internacional torna-se mais fácil de entender.

Claro que, no curto prazo, ainda há muitos gatilhos para volatilidade. A incerteza nas políticas tarifárias, as expectativas de cortes de juros pelo Federal Reserve, os riscos geopolíticos, tudo isso pode gerar oscilações intensas. Em 2025, devido a ajustes na política do Fed, houve uma correção de 10-15%, e no início deste ano, uma queda acentuada de 18%. Mas o interessante é que, a cada queda, os bancos centrais começam a comprar. Quanto mais baixo, mais alto fica o fundo, e isso é uma característica de mercado em alta.

Falando do futuro, as previsões das instituições divergem bastante. Goldman Sachs ajustou a meta de preço para o final do ano para 5700 dólares, JPMorgan é mais agressivo e prevê 6300 dólares no quarto trimestre, enquanto Citibank espera cerca de 5800 dólares na segunda metade do ano. No cenário otimista, alguns até veem valores entre 6000 e 6500 dólares. Mas, na minha opinião, a tendência do ouro internacional para 2026 parece mais uma oscilação em alta do que uma subida sem retorno.

Do ponto de vista de investimento, ainda é possível participar, mas depende do seu perfil. Se você é um trader de curto prazo, as oscilações antes e depois dos dados do mercado americano realmente oferecem oportunidades, mas é preciso estabelecer stops rigorosos. Se você é iniciante, evite comprar no pico, comece com pequenas quantidades para testar. Para quem investe a longo prazo, é importante estar preparado psicologicamente: a amplitude média anual do ouro é de 19,4%, maior que a das ações, podendo dobrar ou ser cortada pela metade no meio do caminho.

Minha opinião é que a tendência de compra contínua pelos bancos centrais representa um movimento de longo prazo que não vai desaparecer, pois a inflação persistente, a pressão da dívida e as tensões geopolíticas ainda estão presentes. Mas o mais importante é ter um sistema de monitoramento, e não apenas seguir as notícias. A subida do ouro nunca é uma linha reta; é preciso entender a lógica por trás do movimento para encontrar seu ritmo nas oscilações do mercado internacional do ouro.
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