Recentemente vi uma série de fotos antigas de Lin Huiyin e Liang Sicheng, e só então realmente entendi o que significa apoiar-se mutuamente.



Em 1929, Lin Huiyin deu à luz a sua filha Liang Zaiyin, ainda não totalmente recuperada, mas Liang Sicheng continuava a segurar a câmera e a tirar fotos. Naquela época não havia filtros de telemóvel, nem softwares de edição, apenas o apreço de Liang Sicheng por este momento de vida dela. Três anos depois, nasceu o filho Liang Zongjie, e ele fez o mesmo novamente. Muitas pessoas pensam que isso é falta de sensibilidade, mas na verdade — é o contrário — foi Lin Huiyin quem propôs essa ideia ativamente, ela acreditava que a maternidade era a maior transformação na vida de uma mulher, de jovem a mãe, e que esses momentos reais após o parto mereciam ser preservados para sempre.

A história deste casal vai muito além disso. Lin Huiyin nasceu em 1904 em Hangzhou, seu pai, Lin Changmin, tinha uma relação muito próxima com Liang Qichao, pai de Liang Sicheng, e as duas crianças se conheceram desde pequenas. Mais tarde, por intermédio de Liang Qichao, eles estudaram juntos na Biblioteca Songpo, e a relação foi se aprofundando. Em 1925, Lin Changmin faleceu repentinamente, e Liang Sicheng acompanhou-a nos dias mais sombrios. Em 1928, casaram-se no Canadá, e até fizeram uma viagem de lua de mel para estudar a arquitetura antiga na Europa.

Após o casamento, os dois dedicaram-se ao China Architectural Society, iniciando décadas de estudos sobre arquitetura antiga. Em 1932, visitaram o Templo Dule na cidade de Ji, Hebei, e em 1933 foram às Grutas de Yungang, Shanxi. O mais impressionante foi em 1937, quando descobriram inscrições na Montanha Wutai, no Templo Foguang, que contradiziam a teoria dos estudiosos japoneses de que “não havia construções de madeira da dinastia Tang na China”. Após o início da guerra, mesmo com condições difíceis e a gravidade da tuberculose de Lin Huiyin, eles continuaram a pesquisa, migrando com Liang Zaiyin e outras crianças para Kunming e Lizhuang, sem nunca desistir.

Depois do fim da guerra e do retorno a Pequim, continuaram a aprofundar seus estudos na Universidade Tsinghua, no departamento de arquitetura. Com a fundação da Nova China, Lin Huiyin, doente, participou do design do emblema nacional, e elementos como o jade bi e as estrelas de cinco pontas foram finalmente adotados. Ela também contribuiu para o projeto do relevo do Monumento aos Heróis do Povo e promoveu a renovação da técnica de cloisonné. Em 1955, Lin Huiyin faleceu de tuberculose aos 51 anos. Liang Sicheng desenhou pessoalmente sua lápide, gravando nela um padrão de coroa de flores que ela mesma criou.

Em 1972, Liang Sicheng também partiu. Essas fotos após o parto, os anos de estudos de arquitetura antiga, e a filha chamada Liang Zaiyin, tornaram-se as melhores provas do amor deles. Eles não apenas abriram o caminho para o estudo da arquitetura antiga na China, mas também dedicaram suas vidas à proteção do patrimônio cultural. Ao olhar para essa história, você entenderá o que significa um verdadeiro companheiro de jornada.
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